Fotografias
Um nobre exemplo de Esposa e Mãe de família
Alguns meses após a obtenção do Nihil obstat em Roma, na manhã do pretérito dia 10 de Dezembro de 2009 foi aberto oficialmente o Processo de Beatificação da Serva de Deus Imperatriz Zita (1892-1989) – promovido por uma entidade criada para o efeito, a Association pour la béatification de L’Impératrice Zita – no Paço Episcopal da Diocese de Le Mans, em França. Na cerimónia solene marcaram presença o Bispo Yves Le Saux, o Postulador, Pe. Cyrille Debris, uma delegação desta associação, o Arquiduque Rodolfo, em representação da família imperial, entre muitos outros elementos relacionados com este novo Processo.

Algumas pessoas presentes na cerimónia de abertura do Processo de Beatificação da Imperatriz Zita. Ao centro destacam-se o Bispo Yves Le Saux e o arquiduque Rodolfo d'Áustria, representante da família imperial, e à direita o Postulador, Pe. Cyrille Debris.
Devido às ligações da Imperatriz Zita à Madeira, a terra de exílio que foi imposta à sua família em 1921, e onde viria a falecer, no ano seguinte, o seu bem-aventurado esposo, o Beato Carlos d’Áustria, traçaremos umas breves notas sobre esta nobre e excelsa figura de mulher, cujo percurso de vida se constitui como um exemplo de fé inquebrantável. Na nossa ilha deixou o seu coração, como afirmou à imprensa regional em 1922, pouco antes de partir, mas no auge da sua dor pôde contar ainda com o apoio espiritual da Madre Virgínia Brites da Paixão, através da qual recebeu várias mensagens divinas, que a reconfortaram e foram um bálsamo para toda a vida.
Breves notas biográficas
Filha de Roberto, o último duque de Parma, e da infanta Maria Antónia de Portugal, da dinastia de Bragança, e ainda neta de D. Miguel I, Zita Bourbon-Parma nasceu na Toscânia, em Itália, a 9 de Maio de 1892. Em 1911, aos 19 anos de idade, desposou Carlos d’Áustria, sobrinho do imperador Francisco José. Com a morte deste último, em 1916, aos 29 anos de idade o jovem arquiduque tornou-se oficialmente no Imperador Carlos 1.º de Áustria e Rei Carlos IV da Hungria. Nos dois anos de reinado, a Imperatriz Zita manteve-se sempre ao lado do seu marido, apoiando todas as suas iniciativas de paz. Unidos por um forte amor e pela mesma fé cristã, o casal teve oito filhos. Após a segunda tentativa de retomar o trono na Hungria, o casal soberano foi enviado para o exílio na Madeira, em 1921, mas desprovido de meios de sustento. Após terem residido por uns tempos na Vila Vitória, no Funchal, esgotados os seus parcos recursos financeiros, o banqueiro Rocha Machado emprestou-lhes a sua residência estival no Monte onde, em Março do ano seguinte, Carlos d’Áustria foi acometido duma grave pneumonia, tendo falecido a 1 de Abril, e deixando a sua esposa viúva, com sete filhos nos braços e outro no ventre. O funeral do imperador atraiu milhares de pessoas ao Monte, condoídas pela tragédia que se abatera sobre a família imperial, e partilhando respeitosamente do luto e pranto da esposa e mãe de família.
Cerca de um mês e meio depois, Zita d’Áustria saiu da Madeira, e deu continuidade ao seu longo exílio vivendo em diversos países: Espanha, Bélgica, Quebeque, Estados Unidos, e só perto do fim da sua vida, em 1982, lhe foi permitido regressar a Áustria, onde faleceu com 97 anos incompletos, a 14 de Março de 1989. A Imperatriz apenas regressaria à Madeira duas vezes: a primeira em Abril de 1967, e a segunda em Janeiro do ano seguinte, de modo a assistir à inauguração da nova capela lateral da igreja do Monte, para onde foram transladados definitivamente os restos mortais do Imperador Carlos d’Áustria.
A ligação entre a Imperatriz Zita e a Madre Virgínia Brites da Paixão
Quando a doença do Imperador Carlos se agudizava, a esposa do dono da Quinta Rocha Machado enviou um bilhete à Madre Virgínia – a humilde Clarissa abençoada por insondáveis dons místicos que então vivia no Lombo dos Aguiares, exilada do seu amado mosteiro das Mercês – pedindo-lhe que rogasse a Nossa Senhora pela saúde do seu hóspede. Na resposta, a Virgem Maria afirmou que era vontade de Deus que Carlos d’Áustria falecesse de causa natural, de modo a impedir que fosse assassinado por alguém que já se encontrava no Funchal indigitado para cometer
tal ignóbil crime. Em mensagem posterior Nossa Senhora pediu que fosse transmitido à Imperatriz Zita o seu ardente desejo de que ela e toda a família imperial se consagrassem ao seu Imaculado Coração. Esta cerimónia decorreu na igreja de São Pedro, no Funchal, a 13 de Maio de 1922, e para fazer memória deste acto solene, a Imperatriz Zita fez questão de oferecer à Confraria do Imaculado Coração de Maria daquele templo uma foto emoldurada da sua família, acompanhada de uma dedicatória especial.
Foi ainda através da Madre Virgínia, que a Imperatriz recebeu uma mensagem de Carlos d’Áustria, na igreja do Monte, alguns dias após a sua morte, no decorrer de uma eucaristia, pedindo-lhe que não se voltasse a casar e que cuidasse apenas dos seus filhos. E de facto, ela levou até ao fim a sua santa viuvez. Por último e não menos importante, após o falecimento do Imperador, Nossa Senhora fez saber à Imperatriz Zita, através da Madre Virgínia, que lhe destinava uma missão muito especial: que ela fosse, através da Europa, uma voz imperial que divulgasse a nova devoção ao Imaculado Coração de Maria – que havia sido transmitida originalmente à Clarissa mística madeirense em 1913 – e que encetasse contactos com o Santo Padre, de modo a que este oficializasse este novo culto e ordenasse a sua realização em todo o mundo.
Divulgação desta Causa
De modo a divulgar este Processo de Beatificação, a associação que o promove criou um site na Internet – www.beatification-imperatrice-zita.org – onde está patente um vasto leque de informações biográficas desta Serva de Deus e o seu Processo de Beatificação em curso, fotos, vídeos e ainda textos sobre as suas excelsas virtudes cristãs e sã espiritualidade. Neste momento o site está apenas disponível em francês, mas existem projectos para o disponibilizar futuramente em diversas línguas, entre elas a portuguesa, sinónimo da abrangência universal da sua vida e obra.
Duarte Mendonça
Membro da Comissão Histórica do Processo
de Beatificação da Imperatriz Zita