Outras devoções a Cristo e à Virgem Maria

Esta fotografia da capela privada da Serva de Deus e de sua família na Villa St. Joseph, em Sillery (Quebec) dá uma idéia sobre as devoções da Imperatriz Zita
Devoção ao Menino Jesus de Praga
A história do Pequeno Menino Jesus de Praga é também uma história importante da devoção dos Habsburgos, ligada ao Santuário de Santa Maria das Vitórias.
Este foi o nome dado à segunda igreja romana dos carmelitas descalços, em virtude da intervenção da Virgem Maria na Batalha da Montanha Branca, em 1620, onde as tropas católicas puderam vencer os Protestantes do Eleitor Palatino Frederico da Saxônia, eleito ilegitimamente Rei da Boêmia por seus correligionários. O Servo de Deus Frei Domingos de Jesus Maria (1559-1630) levara para a batalha um ícone de Nossa Senhora com o Menino o qual veio a obter a vitória (como também, mais tarde, em 1683, contra os turcos – fato que dará origem à devoção ao Santo Nome de Maria, celebrado aos 12 de setembro). Com relação à imagem do Menino Jesus propriamente dita, ela é obra de um monge que a esculpiu a pedido de Jesus. Tendo pertencido à Santa Teresa de Ávila, ela foi dada a uma amiga, Maria Maximiliana Manrique de Lara y Mendoza, dama de honra da Imperatriz Maria, esposa de Maximiliano II. Sua filha, Polixena, Princesa Lobkowicz, ofereceu-a ao convento dos carmelitas descalços de Praga em 1628, depois da morte de seu esposo, Zdenek Adalbert Lobkowicz, Generalíssimo do Exército Imperial na Montanha Branca. Colocada no Santuário de Nossa Senhora das Vitórias, em Malá Strana, tornou-se objeto de grande devoção, em particular de Ferdinando II, durante a Contra-Reforma.
Tanto em Quebec como em Zizers, as fotografias mostram que a imagem
do Menino Jesus encontrava-se entronizada num lugar de honra nos oratórios, mas a Serva de Deus também ofereceu um exemplar dela à paróquia de Steenokkerzeel, nas proximidades de Bruxelas (fotografia acima). Deve-se notar ainda que o Mosteiro de Santa Cecília em Solesmes conserva com piedade uma imagem do Menino Jesus, sem dúvida não rigorosamente do estilo do Menino de Praga. Tal imagem foi-lhes confiada pela Imperatriz em 1939, exatamente antes de início da Guerra. Sua filha, a Arquiduquesa Adelaide, tinha-a trazido da Espanha onde estivera depois da Guerra Civil. Desde 1936, quisera ajudar estas populações tão provadas. Numa paróquia do País Basco, mostraram-lhe a imagem do Menino Jesus que os revolucionários vermelhos tiraram da igreja para a fuzilarem, arrancando-lhe os braços e as pernas (fotografia ao lado). O pároco e paroquianos ofereceram-na generosamente à Arquiduquesa para a agradecer. As seis Irmãs bascas que entraram em Solesmes, levadas pela Imperatriz, tinham uma particular devoção por esta imagem.
Devoção à Nossa Senhora da Cabeça Inclinada
A Imperatriz, ao longo de suas numerosas peregrinações, foi sempre
acompanhada, como Cristo durante as estações do seu Calvário, pela Mãe de Deus, invocada sob o título de Nossa Senhora da Cabeça Inclinada (Maria mit dem geneigtem Haupt). Esta devoção tem sua origem junto aos carmelitas de Roma. Frei Domingos – sempre ele – era Prior do primeiro convento dos carmelitas descalços (Maria della Scala, no Trastevere) e velava pela construção do segundo (dedicado à Conversão de São Paulo e que, depois, foi renomeado Sta Maria della Vittoria ). Em 1609, enquanto, durante a tarde, caminhava por entre as obras, achou nos escombros de uma casa demolida este quadro que ele recolheu, limpou, restaurou e venerou em sua cela. Um dia, limpando-o delicadamente com um pedaço de pano, a pintura se avivou e inclinou a cabeça em sinal de agradecimento por ter sido salva e conservada. De outra feita, ela lhe confiou: “Todos aqueles que me venerarem devotamente neste quadro e encontrarem seu refúgio em mim terão suas preces atendidas e eu lhes oferecerei abundantes graças, mas desejo particularmente atender as preces pela paz e pelo resgate das almas do Purgatório”. Não querendo guardar tal tesouro apenas para si, Frei Domingos a expôs à veneração pública na igreja de Santa Maria della Scala. Tendo se tornado íntimo conselheiro do Imperador Ferdinando II no Hofburg de Viena, veio a falecer nesta cidade aos 16 de fevereiro de 1630. A Ordem do Carmelo não pôde resistir à súplica do Imperador, que desejava que o quadro lhe fosse emprestado, a fim de poder venerá-lo em seus aposentos vienenses,
também como sinal de apreço ao falecido Frei Domingos. Depois de uma longa viagem, passando pela Baviera, a imagem miraculosa chegou a Viena em 1631. O casal Imperial, Ferdinando e Eleonora, rezando diante dela recebeu esta revelação: “Hei de sempre proteger com a minha intercessão a Casa da Áustria e conservarei e aumentarei seu poder e sua majestade enquanto perseverarem em sua atitude de deferência e devoção para comigo”. Exposta em diferentes conventos carmelitas, ela é conservada atualmente em Viena-Döbling.
Nossa Senhora de Mariazell
Outra devoção muito própria dos Habsburgos e também muito beneditina é Nossa Senhora de Mariazell. Aquela que é invocada como Magna Mater Austriae, Magna Domina Hungarorum, Magna Mater Gentium Slavorum foi objeto de uma peregrinação de Carlos e Zita, quando os jovens esposos tinham apenas alguns dias de casados. “Na verdade, era seu desejo colocar nosso casamento totalmente sob a proteção da Mãe de Deus; ela já tinha sido invocada através da inscrição em nossas alianças nupciais. Assim, antes de partir de Reichnau para nossa viagem de núpcias, fomos em peregrinação junto à Patrona da Áustria, em Mariazell”. De fato, eles mandaram gravar em suas alianças: “Carlos da Áustria – Zita de Bourbon-Parma. Sub tuum praesidium confugimus, Sancta Dei Genitrix”. Este santuário foi fundado, em 1157, por um monge beneditino da Abadia beneditina de São Lamberto (Stíri
a) : Magno, enviado por seu Abade Otker para cuidar da alma dos habitantes daquela região que pertencia aos beneditinos. Com a permissão de seu Abade, ele levou consigo em sua longa viagem uma imagem mariana talhada em madeira de tília. Na tarde do dia 21 de dezembro, uma grande pedra bloqueou seu caminho. Então, Magno, pedindo socorro, dirigiu-se à Mãe de Deus e a pedra partiu-se ao meio, abrindo a estrada. Chegado ao seu destino, o monge colocou a imagem sobre o tronco de uma árvore e começou a construir sua “cela” (Zell, em alemão) que deveria servir, ao mesmo tempo, como capela e como habitação para ele. “Maria na cela” (Mariazell) deu, assim, seu nome ao lugar. Os Habsburgos vieram com muita freqüência venerar ali aquela a quem confiaram sua dinastia e seus povos, pois seu caráter supranacional, protetora da Áustria, dos húngaros e dos eslavos, correspondia bem à missão de seu Império. Quando de seu retorno triunfal em 1982, a Serva de Deus quis recolher-se junto à Virgem protetora de seus povos no dia 1º de setembro. Não é por acaso que, para a Serva de Deus, a lembrança mortuária reproduz a Virgem de Mariazell.
Nossa Senhora de Lourdes e o rosário
A Serva de Deus recorria de bom grado à oração do santo rosário. Sem dúvida, a história do rosário está também muito vinculada àquela da família dos Habsburgos, pois comemora a vitória de Dom João da Áustria, filho bastardo do Imperador Carlos V, contra os turcos em Lepanto, aos 7 de outubro de 1571. Segundo um testemunho do Arquiduque Carlos Luís, foi através do rosário que ela obteve a cura milagrosa de um câncer no estômago.
Em Zizers, ia diariamente rezar o terço às 17h00, junto com os outros residentes daquela casa de repouso. Além disso, com certeza, também rezava sozinha o rosário e “ainda, depois do rosário, a ladainha lauretana, de cor e em latim”.
Vídeo da Imperatriz, com sua mãe e seu filho Otto, em Lourdes para o encerramento do Jubileu da Redenção pelo Cardeal Pacelli (futuro Pio XII), em abril de 1935.