Tentativas de Restauração Húngara (1919-1922)
Depois dos fracassos das negociações de paz separada, o destino da guerra se torna cada vez mais desfavorável para as Potências Centrais. Sem dúvida, Carlos sempre teve o desejo de reformar seu Império, o qual sabia estar ameaçado pelo nacionalismo. Aos 16 de outubro de 1918, mediante o “Manifesto aos seus Povos”, ele os convidou a constituírem Conselhos Nacionais, que haveriam de decidir sobre a evolução rumo a uma Confederação Danubiana, pelo menos na metade austríaca do Império (onde viviam os checos, polacos, rutenos ou ucranianos, alemães, eslovenos e italianos, pois o juramento de fidelidade que o obrigaram a fazer na Hungria amarrava-lhe concretamente as mãos, dado que os húngaros o impediam de conceder aos croatas, sérvios, romenos e eslovacos direitos iguais aos seus). Mas, estes Conselhos Nacionais, ao invés de mudarem o Império em direção a uma maior autonomia, escolheram a independência.
de Estado sem abdicar, seguindo nisso os protestos de Zita. Eles se retiraram à sua propriedade privada, o Castelo de Eckartsau, a leste de Viena, onde ficaram expostos à insegurança, ao frio, à má alimentação e à doença. O Coronel Strutt, inglês, foi um precioso auxílio para eles. Tinha sido encarregado de melhorar-lhes as condições de vida pelo governo britânico, que temia que Carlos e Zita conhecessem a mesma sorte da Família Imperial Russa. Ele esse testemunho: “Ela estava vestida muito modestamente de preto e trazia seu esplêndido colar de pérolas (...). A primeira impressão que tive foi a de uma extraordinária força de caráter, suavizada pelo seu admirável encanto. A determinação estava inscrita nas linhas de seu pequeno queixo quadrado; a inteligência, nos brilhantes olhos castanhos; a vida intelectual na larga testa, meio encoberta pelas mechas de cabelo escuro. (...) Nunca escutei uma única palavra de queixa por parte dela”.
ainda mais sangue; de outro, sofreu a traição do Almirante Horthy. Oficialmente apenas Regente do reino, este deveria se retirar do poder diante do seu soberano a quem jurara fidelidade. As duas tentativas malograram. Zita participou somente da segunda Tentativa. Eles foram detidos como prisioneiros no mosteiro beneditino de Tihany, junto ao Lago Balaton. Depois, uma embarcação inglesa, o Glowworm, os levou pelo Danúbio até a Romênia. Aí, passaram para outro navio, o Cardiff, partindo rumo a um destino desconhecido e que, finalmente, se verificou ser a Ilha da Madeira – uma espécie de Ilha de Elba ou de Santa Helena, mas, no entanto, eles eram legítimos soberanos, trabalhando pela paz.
úmida que cheira a mofo e pode-se ver o hálito da respiração de cada um. Os únicos meios de transporte são os carros ou os bois, mas não podemos pagar a nenhum deles. Além disso, existe também um funicular, que não funciona todos os dias. A pé não se pode descer do Monte, pois seria necessário quase que um dia inteiro para voltar. O pobre Imperador não pode ter carne à mesa para o jantar, mas somente legumes e alguma sobremesa. É o que nos causa maior pena. Para nós, isso não tem problema, não nos faz falta. Mas para eles... não têm sequer o suficiente para comer. (...) O pior de tudo é que Sua Majestade deve ter seu bebê no mês de maio e não há planos de chamar nem uma parteira, nem um médico para assisti-la. Por aqui, há apenas uma pajem de crianças, mas sem a necessária experiência. Então, não teremos sequer uma parteira preparada. Com relação a isso, estou desesperada.
Velava por seu marido, rodeava-o com seus cuidados e rezava sem cessar. No domingo, 26 de março, ela acompanhou uma procissão organizada para obter a cura do Imperador, mas ele, então, já receberia a extrema-unção. Paul Morand escreveu em La Dame blanche des Habsbourg: “Não restava senão um grande e entranhado amor conjugal, contra o qual, seja a miséria, seja a morte nada podiam”. Ela rezava para que ele fosse, primeiro, restituído aos seus povos, e, somente depois, à sua família. Entrando em agonia na sexta-feira, Carlos morreu como nobre cristão. Por um instante, Zita deixou escapar: “Carlos, o que vou fazer sozinha?”, depois, retomando-se: “Senhor, seja feita a vossa vontade”. Carlos I, Imperador da Áustria, Rei Carlos IV da Hungria morria de frio, na pobreza e na privação, no sábado, 1º de abril de 1922. Acabara de ultrapassar a idade de Cristo na cruz: 34 anos. Zita tinha apenas 30, esperava seu oitavo filho e iria levar o luto por 67 anos!
[2] Sévillia, Zita, Impératrice courage, p.181-182 (mas, está também presente na Informatio do Processo de Beatificação de Carlos, p. 248, e no Summ. Test., p. 215-216, § 216) fala de um Padre Coelestin Schweighofer, enviado como comissário do Papa no início de outubro de 1921 ao Castelo de Hertenstein, para encorajar a tentativa de salvar a Hungria da ameaça bolchevista (o comunista Bela Kun tinha instaurado uma república soviética entre 21 de março e 1º de agosto de 1921). Além disso, após o fracasso, no exato momento de subir à embarcação, o casal imperial recebeu a bênção do Papa Bento XV através do Núncio Apostólico, Dom Schioppa, ao qual Carlos prometeu guardar silêncio sobre o apoio do Soberano Pontífice, mas pediu sua intervenção para evitar as penas de morte contra seus seguidores húngaros (p. 189).