Imperatriz e Rainha reinante (1916-1918)

Uma Imperatriz que deseja servir a seus povos

Chegando ao poder aos 21 de novembro de 1916, depois um muito extenso reinado de 68 anos (sic) e em meio a uma guerra atroz, Carlos e Zita subiram ao trono no pior momento. Não houve senão um curto momento de glória, antes de um longo calvário. O momento de glória foi sua coroação como soberanos da Hungria, em Budapeste, aos 30 de dezembro de 1916. Não se colocou, evidentemente, a Coroa de Santo Estêvão na cabeça da Serva de Deus, mas aquela feita para as Rainhas da Hungria (para a Rainha precedente, Elisabete [Sissi]). No entanto, a coroa nacional húngara lhe foi colocada sobre o ombro direito pelo Bispo de Veszprem, pois ela iria ajudar seu marido a levar avante seu pesado encargo. As palavras do ritual eram profundas: “Recebe a coroa da soberania, a fim de que saibas que és a esposa do Rei e que deves sempre cuidar do povo de Deus. Quanto mais alta estás colocada, tanto mais deves ser humilde e permanecer em Jesus Cristo”.
Por outra parte, Zita deixou seu marido conduzir os negócios do Império, mesmo se, graças aos relatórios dos Ministros, ela os seguia em suas linhas gerais. O Imperador, em última instância, era o homem que sempre tomava as decisões, indo mesmo, por vezes, contra a opinião de sua esposa (como, por exemplo, para a anistia de julho de 1917). Eis como o Imperador Francisco José, falando à sua filha Arquiduquesa Valéria, aquilatava a complementaridade do casal – ele que muito apreciava seu sucessor: “Sentia-se feliz em ver a maneira com que Zita ajudava seu marido. Ela soube desenvolver e fazer desabrochar todas as suas grandes qualidades, levando-as à maturidade”.
“Anjo da Guarda de todos os que sofrem” (Dom Piffl, Cardeal Arcebispo de Viena)
protocolar, ela dedicou muito tempo às obras sociais. Criou a Obra para a Criança, que recebia fundos destinados aos carentes. Já no dia 26 de dezembro de 1916, num breve período de reinado, seu intendente entregou ao Presidente do Conselho austríaco um cheque de 650.000 coroas e a lista das mercadorias recolhidas: 15 toneladas de chocolate, 30.000 doses de leite condensado, uma vagão com roupas e 75.000 pares de sapatos. Quinze dias mais tarde, ela indagou acerca da efetiva e rápida distribuição de todos estes pacotes. Também fez reduzir o estilo de vida de sua própria casa, suprimindo certos alimentos como o pão branco ou o chocolate, para estar em comunhão com aqueles que sofriam privações. A este propósito, a Imperatriz também não hesitou em lembrar seus princípios a pessoas favoráveis à guerra, como o Almirante alemão Henning von Holtzendorff, que a criticava de ser contra a guerra em geral.“ – Sou contra a guerra, como toda mulher que prefere ver o gênero humano na alegria a vê-lo nas lágrimas.
– A dor, a fome, e não sei mais quê... Quanto a mim, nunca trabalho melhor do que com a barriga vazia. Trata-se, então, de apertar o cinto e manter-se firme.
– Não posso ouvir falar de manter-se firme, quando se está sentado diante de uma mesa farta”..
No entanto, o principal serviço que o casal imperial buscou prestar a seus súditos foi lhes trazer os benefícios da paz. O velho Imperador Francisco José, para preparar o futuro, tinha se recusado a comprometer seu Herdeiro em qualquer aspecto com relação à declaração de guerra contra a Sérvia, que servira de detonador para o conflito mundial. O Imperador Carlos é conhecido por ter sido o “único homem honesto” da Primeira Guerra Mundial, pois quis, muito sinceramente, por-lhe um termo, em condições honrosas para todos. Tais ofertas de paz separadas (secretas, com relação ao aliado alemão que era um estorvo e, também, favorável a prosseguir a guerra até o fim), passaram pelos dois irmãos de Zita, os Príncipes Xavier e Sixto de Bourbon-Parma, mas a iniciativa cabia a seu marido e não à Imperatriz, que estava, contudo, a par de todas estas tentativas. Ela as sustentava totalmente.
Visita ao Tirol do Sul.
Vídeo do cortejo fúnebre para o sepultamento do Imperador Francisco José (30 de novembro de 1916), conduzido por Carlos, Zita e Otto.
Vídeo da coroação do Imperador da Áustria Carlos I como Rei Carlos IV da Hungria (31 de dezembro de 1916).
Vídeo apresentando, alguns anos mais tarde, a Imperatriz e seu irmão Sixto.